web3: Cartas de Pokémon estão em alta, plataformas de tokenização on-chain disputam o acesso ao mercado de negociação
O mercado de cartas colecionáveis de Pokémon está passando de item de coleção para um mercado de negociação mais maduro. De acordo com uma reportagem da CoinDesk, à medida que os preços das cartas de alta classificação sobem e o varejo segue com forte demanda, startups de blockchain estão começando a transformar cartas físicas em ativos na blockchain, buscando resolver problemas como lentidão nas negociações, custos elevados e liquidez dispersa.
Valor de mercado chega à casa das dezenas de bilhões de dólares
Atualmente, o mercado de cartas de Pokémon está avaliado entre 10 e 15 bilhões de dólares. Diferentes instituições apresentam pequenas variações nos números, mas todas indicam que o mercado já atingiu dimensão considerável. O artigo menciona que a carta Pikachu Illustrator, possuída por Logan Paul, já foi vendida por 16,5 milhões de dólares, e as vendas de cartas através do eBay atingiram 2,62 bilhões de dólares em 2025.
A demanda no varejo também é marcante. Costco, Target e Walmart presenciaram um aumento acentuado nas vendas de cartas, a ponto de algumas lojas limitarem a quantidade por cliente para evitar o acúmulo por revendedores. Segundo dados apresentados, neste ano o preço das cartas de Pokémon subiu cerca de 28%, superando o desempenho do S&P 500 e do Bitcoin no mesmo período.
Plataformas on-chain miram custódia e transferência
A principal abordagem dessas plataformas é armazenar cartas físicas em cofres especializados e emitir um certificado digital vinculado individualmente a cada carta. Os usuários podem transferir a propriedade na blockchain, retirando o item físico apenas durante o resgate.

A Deadstock, startup de Abu Dhabi criada pela ATH Labs, adota esse modelo. A plataforma está em teste fechado na Arbitrum, com foco em cartas de Pokémon de alto valor e já classificadas por nota. Para a ATH, a próxima fase de crescimento desse mercado pode não se basear em novas emissões, mas sim em negociações, financiamentos e uso como colateral mais eficientes.
O artigo relata que o comércio tradicional de cartas ainda depende de processos mais lentos como classificação, listagem e envio, o que geralmente leva semanas ou meses. Isso contrasta fortemente com o mercado cripto, que valoriza liquidação sem atrito e negociação 24/7, tornando-se um dos principais motivos para plataformas de tokenização entrarem nesse setor.
Volume ativo, mas plataformas tradicionais ainda dominam
Algumas plataformas já estão acumulando volumes consideráveis de negociação. Segundo dados da DeFiLlama citados no texto, a Courtyard movimentou cerca de 139 milhões de dólares nos últimos 30 dias, e as taxas anualizadas da plataforma somariam aproximadamente 48 milhões de dólares. Collector-Crypto e Phygitals também já ingressaram nesse segmento.
No entanto, essas plataformas ainda estão consideravelmente atrás do mercado tradicional. Segundo a House of Chimera, parte relevante das negociações on-chain envolve mais “abertura de packs” e recompras instantâneas do que trocas bilaterais naturais entre colecionadores. Isso indica que, apesar do volume aparentemente alto, ainda não existe uma liquidez secundária madura.
O artigo aponta ainda que muitas plataformas usam serviços similares de classificação e custódia, então o diferencial provavelmente não estará na tecnologia em si, mas sim na origem das cartas, no tamanho do estoque e na capacidade de manter operações de market making e recompra continuamente.
A disputa entre plataformas se volta para o controle da oferta
A ATH tenta centralizar sua estratégia no lado da oferta. A empresa fechou parceria com a Japan Trading Card Center (JTCC) do Japão e afirma ter acesso exclusivo tokenizado ao estoque e à rede de fornecedores da JTCC. Dominic Jang, cofundador da ATH, destaca que a JTCC tem capacidade para fornecer continuamente cartas de alta classificação—algo difícil de ser replicado por novos entrantes.

Em um contexto mais amplo, a tokenização das cartas Pokémon segue lógica semelhante à de ativos como ouro, títulos públicos e crédito privado na blockchain: todos buscam reduzir custos de transferência e aumentar a eficiência na liquidação. Mas, para que esse modelo cresça de fato, o fundamental é conseguir montar um livro de ofertas suficientemente profundo—não apenas migrar itens de coleção para a blockchain.


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