JPMorgan Asset Management alerta: risco de concentração em IA se espalha para o mercado de títulos, investidores devem ficar atentos ao "crowded trade"
A JPMorgan Asset Management alertou que o risco de concentração relacionado ao “fator de inteligência artificial” já se espalhou das ações para o segmento de renda fixa, o que aumenta a necessidade de os investidores continuarem cautelosos.
De acordo com o portal Jinse Finance, estrategistas da JPMorgan Asset Management alertam que o risco de concentração do “fator inteligência artificial” já se propagou do mercado de ações para o setor de renda fixa, e embora a narrativa de “super ciclo” ainda faça sentido, a necessidade de cautela por parte dos investidores está a aumentar de forma acentuada.
Em entrevista concedida na terça-feira, Gabriela Santos afirmou: “Você pode adotar uma postura extremamente otimista quanto a tudo relacionado à IA, mas ainda precisa pensar de forma muito criteriosa sobre a composição da carteira.”
Como principal estrategista de mercado para as Américas da JPMorgan Asset Management, Santos destacou que a correção das ações de tecnologia em julho evidenciou o risco de posicionamento excessivamente concentrado. Naquele mês, o índice Philadelphia Semiconductor caiu 21%, registrando sua maior baixa desde 2008. Ao mesmo tempo, o índice Kospi da Coreia do Sul recuou 22%, sendo que cerca de metade de sua composição está concentrada em fabricantes de chips como Samsung Electronics e SK hynix.
Santos afirmou que essa forte volatilidade ressalta a importância do controle de tamanho das posições, do uso de alavancagem e da diversificação fora do setor de IA.
“É justamente aqui que as coisas ficam complicadas. Porque já não se pode considerar apenas os fatores tradicionais, o setor ou a região, nem mesmo só a classe de ativos, já que a influência da IA está em todo lado”, acrescentou. Ela mencionou ainda que títulos do Tesouro dos EUA, ouro e imóveis essenciais estão entre os poucos segmentos capazes de oferecer fontes de retorno diferenciadas.
Santos salientou que a expansão dos investimentos em IA — estimando que os gastos de capital em mercados públicos e privados cheguem a 5,5 trilhões de dólares — é “muito singular”, pois já está refletida nos lucros das empresas. Ela acrescentou que, apesar de a IA continuar como tema dominante de investimento, o ritmo de crescimento acabará por desacelerar, tornando a diversificação uma atitude sensata já neste momento.
Estrategistas do Goldman Sachs estimaram, em junho, que os investimentos em centros de dados focados em IA deverão superar 900 bilhões de dólares em 2026, chegando a 1,4 trilhão de dólares em 2027, o que evidencia a magnitude deste ciclo descrito por Santos.
O alerta de Santos quanto à concentração estende-se também às carteiras de obrigações. Ela declarou que a quantidade de emissão de obrigações de grau de investimento já bate recordes pelo quarto mês consecutivo — empresas como Alphabet chegaram a emitir títulos de 100 anos. Além disso, investidores multiativos estão agora sujeitos ao risco de exposição à expansão da IA tanto no segmento acionista quanto no de renda fixa.
Ela sublinhou que a dívida emitida pelos maiores provedores de cloud deve ser analisada individualmente, e não como um bloco, e apontou o aumento da complexidade dos veículos com propósito específico (SPV) que usam o arrendamento de centros de dados como garantia.
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