Com a ata hawkish e o CPI elevado, grandes bancos como Goldman Sachs e CBA mudam para previsões hawkish: o Banco Central da Austrália pode aumentar os juros novamente já em setembro.
Economistas acreditam que, após o aumento do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), o Banco Central da Austrália pode aumentar as taxas de juros já em setembro.
Segundo informações do Zhihui Finance APP, a alta inflação na Austrália levou economistas de instituições como Goldman Sachs e Commonwealth Bank of Australia (CBA) a preverem um novo aumento das taxas de juros já no próximo mês, abandonando a expectativa anterior de estabilidade das taxas para o restante do ano. Essa mudança ocorreu após o relatório de inflação divulgado na quarta-feira indicar que as pressões sobre os preços permanecem elevadas. Antes disso, a ata da reunião de agosto do Reserve Bank of Australia (RBA) já havia mostrado que o comitê de política monetária tem baixa tolerância ao aumento dos preços ao consumidor.
O maior banco da Austrália — Commonwealth Bank of Australia — afirmou nesta quinta-feira que os dados de inflação farão o RBA “perder a paciência”, prevendo um aumento de 25 pontos-base na taxa em novembro, para 4,6%, e ressaltando que também pode haver mudanças na reunião de 28 a 29 de setembro. Belinda Allen, da instituição, declarou: “A economia australiana precisa de uma política monetária mais restritiva.”
Economistas do ANZ Bank e da Goldman Sachs também esperam que o RBA aumente os juros em novembro, com a Goldman Sachs igualmente vendo risco de alta já em setembro. Phil Odonaghoe, do Deutsche Bank, foi o primeiro a alterar suas previsões após a divulgação do CPI na quarta-feira, prevendo agora um aumento do RBA em setembro e afirmou que a inflação subjacente está “inaceitavelmente alta”.

Sally Auld, do National Australia Bank, também passou a prever uma alta das taxas em setembro e considera “bastante elevado o risco de um novo aumento em novembro, especialmente se os indicadores de atividade econômica mostrarem resiliência nos próximos meses”.
Influenciados pela ata hawkish e pelos dados de inflação, os preços dos títulos australianos caíram por três dias consecutivos. O rendimento dos títulos do governo de três anos, mais sensíveis à política, subiu sete pontos-base nas negociações da manhã, para 4,67%, atingindo o maior nível em mais de um mês e reforçando as expectativas de aumento dos juros em novembro.
Os operadores já incorporaram totalmente a expectativa de alta de 25 pontos-base na reunião de novembro — superior à probabilidade de cerca de 48% observada no início da semana. Para o próximo mês, estimam cerca de 50% de chance de aumento.
O RBA aumentou os juros em todas as três primeiras reuniões deste ano, encerrando de vez a política monetária expansionista implementada brevemente em 2025, elevando a taxa de juros para 4,35%. Essa iniciativa visa responder ao ressurgimento da inflação, que já aparecia antes mesmo de a guerra entre EUA e Irã provocar choques energéticos globais e intensificar as pressões de preços.
Devido à baixa produtividade verificada nos últimos dez anos, o potencial de crescimento econômico da Austrália diminuiu, tornando o país mais vulnerável à inflação.

Outros economistas mantiveram a expectativa de manutenção das taxas, entre eles o Westpac Banking Corp. Em relatório, a instituição afirmou: “Apesar de ainda haver risco de aumento em novembro, essa não é a nossa projeção central.”
Paul Bloxham, do HSBC Holdings, também alerta para os riscos de novos aumentos por parte do RBA. Ele destaca que “é importante observar que o RBA encara o dado mensal do CPI ainda como um indicador parcial”, e que o banco central australiano acredita que levará alguns anos até que esses dados mensais sejam totalmente confiáveis. Bloxham acrescenta: “O crescimento econômico fraco e a queda dos preços dos imóveis devem exercer pressão de baixa sobre a inflação ao longo do horizonte de projeção.”
A meta de inflação do RBA é atingir o ponto médio do intervalo de 2-3%, patamar que não é alcançado há quase cinco anos. Antes do anúncio da decisão de setembro, não haverá outros dados oficiais de inflação, por isso traders e economistas acompanharão de perto, na próxima semana, a divulgação do Produto Interno Bruto do segundo trimestre e os dados do mercado de trabalho em busca de novas pistas.
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