A disputa sobre a classificação dos contratos perpétuos de criptomoedas se intensifica, e a CFTC questiona o status legal da Chicago Mercantile Exchange (CME).
A Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) solicitou ao tribunal federal que rejeite o processo movido pela CME Group Chicago Mercantile Exchange (CME), que questiona a abordagem do órgão regulador ao considerar contratos perpétuos de criptomoedas como contratos futuros. Na moção apresentada em 2 de setembro, a CFTC argumenta que a CME, o maior mercado de derivativos do mundo, não possui legitimidade jurídica para iniciar a ação, enfraquecendo assim a base da reclamação da CME.
A disputa teve início quando a CFTC, no fim de maio, aprovou o contrato perpétuo de Bitcoin da Kalshi, permitindo sua negociação na plataforma regulamentada KalshiEX sob o framework de contratos futuros. A CME entrou com ação judicial em meados de junho, defendendo que contratos perpétuos – instrumentos derivativos sem data de vencimento fixa, que acompanham o preço do ativo subjacente por meio de pagamentos financeiros periódicos – deveriam ser regulados como contratos de swap, não como futuros. A CME alegou que a aprovação da CFTC concedeu vantagem competitiva desleal a novas plataformas de negociação e causou desequilíbrios no ambiente regulatório.
A CFTC rebateu, afirmando que a CME é por si só um mercado de contratos designado e pode solicitar a aprovação de produtos de contratos perpétuos semelhantes, com base na mesma política regulatória que está contestando. O órgão considera que qualquer desvantagem competitiva é consequência das próprias escolhas da CME, destacando que o autor não pode estabelecer legitimidade simplesmente ao renunciar voluntariamente oportunidades disponíveis para concorrentes. O regulador também citou dados de negociação da própria CME, apontando que os volumes de negociação de futuros de Bitcoin e Ethereum em junho e agosto superaram os de maio, indicando que não houve prejuízo competitivo substancial.
Disputa sobre Remediação e Classificação
Além da questão da legitimidade, a CFTC questiona se mesmo uma decisão favorável à CME seria capaz de reparar as perdas alegadas. Mesmo que o tribunal reclassifique contratos perpétuos como contratos de swap, a CFTC argumenta que outras plataformas ainda podem oferecer instrumentos economicamente semelhantes aos traders. O órgão acrescenta que os interesses competitivos da CME não estão abrangidos pelas disposições da Commodity Exchange Act citadas no processo.
A moção estabelece fundamentos para uma análise jurídica mais ampla sobre como contratos perpétuos devem ser classificados conforme a legislação norte-americana. A CME insiste que, por não possuir data de vencimento fixa, esses instrumentos pertencem inteiramente à categoria de contratos de swap, conforme as instituições estabelecidas pela lei Dodd-Frank.
A CFTC discorda, alegando que a lei federal não exige que contratos futuros tenham data de liquidação previamente definida — o presidente da CFTC, Michael Selig, já havia defendido essa posição, ressaltando que contratos perpétuos regulamentados ainda precisam cumprir normas nacionais de margem, alavancagem e proteção ao cliente. A Kalshi defende seus produtos e descreve o processo como uma tentativa de limitação à concorrência, enquanto o CEO da CME, Terry Duffy, alerta que produtos perpétuos podem fomentar especulação excessiva.
A CME deve apresentar sua oposição à moção de rejeição até 2 de outubro. O tribunal pode decidir encerrar o processo por motivos procedimentais, sem abordar a questão de classificação central, mantendo as políticas atuais da CFTC e a aprovação da Kalshi.
Se o tribunal reconhecer que o autor tem legitimidade, o caso continuará analisando se a CFTC interpretou erroneamente a Commodity Exchange Act ao considerar contratos perpétuos como futuros — decisão que pode impactar futuras solicitações de listagem de produtos perpétuos vinculados a criptomoedas ou commodities, incluindo outros produtos que, segundo informações, a Kalshi está desenvolvendo.

Aviso Legal: o conteúdo deste artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa a plataforma. Este artigo não deve servir como referência para a tomada de decisões de investimento.
Talvez também goste
O iene pode estar apenas se recuperando temporariamente; Morgan Stanley aposta no retorno das operações de arbitragem, com o dólar em relação ao iene previsto para subir até 163.
O Morgan Stanley acredita que o recente fortalecimento do iene se deve principalmente ao fechamento de operações de arbitragem de curto prazo e às apostas do mercado no retorno de capitais japoneses, ao invés de uma melhora substancial nos fundamentos econômicos.

O IPO da Anthropic desencadeia uma disputa por fortunas: Goldman Sachs, Bank of America e outros competem pela gestão de riqueza dos funcionários
O valor de mercado da Anthropic disparou em um curto período, e alguns funcionários que possuem participação na empresa há apenas dois anos podem estar prestes a obter ganhos muito maiores do que o esperado; especialistas em gestão de patrimônio afirmam: "É como se fosse uma loteria". Atualmente, Goldman Sachs, Bank of America, Bank of New York Mellon, JPMorgan e Wells Fargo já entraram em contato com a Anthropic, buscando estabelecer precocemente relações de gerenciamento de riqueza de longo prazo com esses novos milionários de tecnologia.
Hassett: O plano de Trump de 5.000 dólares “pode ser implementado de forma fiscalmente responsável” e, se houver aumento de juros, “o presidente terá algo a dizer”
O diretor do Conselho Econômico Nacional (NEC) da Casa Branca, Hassett, classificou a proposta como “uma proposta séria”, afirmando que “pode ser realizada de forma fiscalmente responsável”, e que alternativas de compensação precisam ser negociadas com o Congresso. O avanço da proposta pode ser feito através do procedimento de reconciliação orçamentária, evitando o bloqueio da minoria. Ao mesmo tempo, Hassett declarou: “Acho que se o Federal Reserve tomar uma ação drástica, o presidente terá algo a dizer sobre isso.”
