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A intervenção do Tesouro dos EUA no mercado de títulos falha, por que o ouro se tornou o maior vencedor?

A intervenção do Tesouro dos EUA no mercado de títulos falha, por que o ouro se tornou o maior vencedor?

汇通财经汇通财经2026/09/04 05:29
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Por:汇通财经

Relatório de câmbio, 4 de setembro—— O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos realizou recentemente duas rodadas de intervenções robustas sobre o iene e os rendimentos dos títulos de longo prazo, provocando grande agitação no mercado, mas não conseguindo resolver as questões fundamentais do dólar e da dívida. Adrian Day, presidente da Adrian Day Asset Management, aponta que as intervenções são apenas paliativas e que a crise profunda do desequilíbrio entre oferta e demanda dos títulos do Tesouro americano e a fuga dos compradores continuam a se agravar. Diante de um impasse na dívida e expectativa de o Fed ter que dar suporte, o ouro se tornará, segundo ele, o refúgio final da confiança do mercado. Na verdade, as intervenções do governo americano confirmam por vias opostas a tese de alta de longo prazo para o ouro.



Recentemente, o Departamento do Tesouro dos EUA aplicou dois fortes golpes, tentando estabilizar o mercado turbulento através da intervenção sobre o câmbio do iene e sobre os rendimentos dos títulos de longo prazo. Porém, essas medidas supostamente vigorosas não conseguem ocultar as fissuras profundas na credibilidade do dólar e no sistema da dívida.

Quando intervenções de curto prazo não conseguem curar doenças estruturais, o foco do mercado se desloca silenciosamente para o ouro. Nesse jogo repleto de incertezas, por que o ouro é visto como o elemento definitivo de ruptura? A análise aprofundada de Adrian Day, presidente da Adrian Day Asset Management, revela a dura verdade por trás desse cenário nebuloso.

Intervenção inútil: grande impacto não esconde a falha central


Apesar das recentes medidas do Departamento do Tesouro dos EUA para intervir no câmbio do iene e nos rendimentos dos títulos de longo prazo, tentando estabilizar o mercado, na visão de Adrian Day, tais ações praticamente nada fizeram para resolver os problemas essenciais do dólar e da dívida pública.
Day afirma categoricamente que o ouro será, inevitavelmente, o maior beneficiado desse embate.


Day observa que, apesar das declarações do secretário Scott Bessent terem dominado as manchetes globais, o impacto duradouro nas áreas realmente críticas foi mínimo. Ele ressalta que essas intervenções não conseguiram dar um impulso substancial ao mercado dos Treasuries, e que os efeitos evaporaram rapidamente após alguns dias, tal como a intervenção no iene no fim de julho. É importante notar que a movimentação do mercado em agosto foi marcada exatamente por essas duas intervenções, expondo de forma dramática a natureza pontual e limitada dessas medidas.

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Paradoxo lógico: programa de recompra não resolve crise de liquidez


Sobre a decisão recente de Bessent de pelo menos dobrar o volume das recompras de títulos de longo prazo, Day considera que há uma lógica confusa por trás dessa medida. Durante o governo de Janet Yellen já existia um mecanismo de recompra para gerenciar a liquidez desses títulos, e, portanto, a decisão de Bessent é, na essência, apenas uma continuação da política anterior. Segundo Day, diante do vasto mercado de Treasuries, o valor de US$ 4 bilhões em recompras é modesto, sendo a diretriz da política o fator que realmente afeta o mercado.

Day aprofunda sua análise afirmando que o argumento do Tesouro de aumentar a liquidez dos títulos de longo prazo não se sustenta. Ao recomprar e cancelar títulos, na prática, o Tesouro está reduzindo a liquidez do mercado, facilitando momentaneamente a venda para donos ansiosos, sem alterar o núcleo da estrutura de oferta e demanda. Pior ainda, enquanto recompra títulos de longo prazo, o Tesouro aumenta a emissão dos de curto prazo, mantendo praticamente inalterado o volume total no mercado.
Day destaca que o maior problema do mercado de Treasuries é o excesso contínuo de oferta e a constante redução do número de compradores tradicionais, situação que constitui a crise profunda não resolvida pelas intervenções.


Saída dos compradores: crise estrutural impulsiona motivo das intervenções


Day ressalta que o motivo fundamental do Tesouro para intervir no câmbio do iene é a persistente fraqueza na demanda por títulos dos EUA. O fortalecimento do iene visa, principalmente, desestimular os detentores japoneses a vender seus Treasuries – esse é o objetivo primordial da intervenção. Porém, a fuga dos compradores de títulos americanos não é recente e só tem piorado ano a ano.

Considerando a estrutura dos compradores, desde o início da guerra Rússia-Ucrânia, a Rússia parou de comprar Treasuries ao ser excluída do sistema do dólar. Países asiáticos também vêm reduzindo suas reservas em Treasuries progressivamente, e o governo japonês também estava vendendo títulos americanos entre maio e junho. A saída desses grandes compradores tradicionais criou um enorme vácuo na demanda, e mesmo o programa de recompra não é capaz de reverter o sério desbalanceamento estrutural entre oferta e demanda, algo impossível de ser resolvido por intervenções de curto prazo.

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Ouro como refúgio: sinal de intervenção impulsiona preço do ouro


Para Day, o mais preocupante nas declarações de Bessent não é o limite mínimo de US$ 4 bilhões, mas sim a ausência de um limite máximo, revelando incerteza política.
Apesar de o preço do ouro ter subido e recuado durante as duas intervenções, Day acredita que isso segue a lógica de mercado, e o movimento de realização de lucros de curto prazo não altera a tendência de longo prazo.


Day enfatiza que, embora as intervenções possam reduzir temporariamente os rendimentos dos Treasuries e a cotação do dólar, beneficiando o ouro, sua própria existência revela a fraqueza dos EUA em vender títulos a preços razoáveis. Caso não resolva o problema da dívida e não possa equilibrar as contas cortando gastos ou aumentando impostos, o Fed acabará tendo que comprar títulos, levando à desvalorização do dólar. Portanto, as intervenções do governo transmitem um sinal oposto ao pretendido, isto é, a falta de confiança do mercado.
Essa crise de confiança representa, para o ouro, um suporte fundamental de alta. Enquanto a questão da dívida permanecer sem solução, o ouro terá uma base sólida e se tornará o vencedor final nesse impasse da dívida.


Considerações finais


As medidas de intervenção do Tesouro dos EUA, diante do desequilíbrio entre oferta e demanda dos Treasuries e da redução do grupo de compradores, mostram-se ineficazes. Apesar de provocarem alguma volatilidade no mercado a curto prazo, não conseguem mascarar a crise estrutural profunda do dólar e do sistema da dívida.

A análise de Adrian Day revela uma dura verdade: quando a intervenção se torna rotina, isso é sintoma de fraqueza. Diante da impossibilidade de solucionar a questão da dívida e da expectativa de relaxamento da política monetária, o ouro, graças ao seu perfil de refúgio, ganha uma sustentação de valor de longo prazo, tornando-se o porto seguro mais certo em meio à turbulência do mercado.

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Gráfico diário do ouro à vista – Fonte: YiHuitong

Fuso horário UTC+8, 4 de setembro, 11:07 – Ouro à vista cotado a US$ 4.474,42/oz

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