Resumo da pesquisa dos especialistas da Marvell: CPO enfrenta atrasos, NPO entra como solução e pedidos são adiados para dois anos depois
A principal rival da Nvidia, a AMD, acabou de devolver a solução CPO da Marvell—mas não se apresse em ficar pessimista, pois os clientes não conseguem esperar nem mesmo pela “solução de downgrade”, e os pedidos acumulados do DSP 1.6T da Marvell já estão agendados para daqui a dois anos.
(Só explicando: o especialista consultado não falou o nome do cliente, mas juntando as pesquisas sabe-se que Meta e OpenAI são os compradores finais, e a Marvell fornece para as duas, indiretamente, pela cadeia da AMD. Então, o portal de investimentos de ações dos EUA presume que esse cliente muito provavelmente seja a AMD.)
É aí que entra o lado contraintuitivo deste estudo de especialistas: a má notícia é que a tecnologia CPO falhou; a boa notícia é que a demanda está tão alta que ninguém se importa com isso.
Este projeto era originalmente para a AMD atender grandes compradores como Meta e OpenAI: solução óptica de interconexão CPO de 6.4T de largura de banda e 32 canais, inclusive com chip ASIC de switch da Marvell—já que a AMD não tem tecnologia própria em óptica e switching, tinha que escolher entre Broadcom e Marvell como fornecedoras.
No início de 2026, quando saiu o protótipo, o desempenho não atingiu os padrões, além de problemas de rendimento. Então a AMD agiu rápido: mudou para NPO.
Há um detalhe-chave aqui que investidores iniciantes entendem errado: a previsão de volume de entrega não mudou, só mudou a solução de entrega. O único interesse dos clientes como Meta e OpenAI é receber os pedidos no prazo.
CPO é a resposta ideal, mas se a NPO pode entregar, aceitam também. E se a NPO consome mais energia e custa mais? Em tempos de corrida por infraestrutura de IA, isso nem entra na conta.
Então, não se assuste com manchetes do tipo “CPO sofre revés”.
Segundo palavras do especialista:
NPO é uma solução temporária com ciclo de vida de dois a três anos, e em 2028 a demanda pode chegar a 30 milhões de unidades—é uma transição com mercado gigantesco.
Por que o CPO falhou?
No ideal, CPO seria o módulo óptico selado junto ao GPU. Mas, na prática, tanto Marvell quanto Broadcom implementam de forma que os dois convivem em placas separadas, soldados na mesma motherboard.

Sinais elétricos de alta velocidade de 200G atravessando várias camadas de substrato e pontos de solda sofrem perdas graves, impossíveis de corrigir completamente. Por fim, precisaram adicionar um retimer (DSP simplificado) para remodelar o sinal—quatro desses para cada 32 canais, espremendo todos esses chips e o motor óptico na mesma placa.
Esse formato é chamado de NPO.

Curiosamente, isso não é problema só da Marvell. O especialista afirmou: Broadcom, Nvidia, AMD, Google, Amazon—toda a indústria caiu na armadilha do “caminho agressivo demais”. A Nvidia apostou em co-empacotamento real da TSMC, mas o rendimento é pior e esse layout nem cabe DSP—ao migrar para NPO, terceirizou essa parte para InnoLight.
Resumindo: interconexão óptica é mandatória—se não é possível entregar CPO agora, usa-se NPO enquanto isso. Mas ninguém abriu mão do CPO, todos investem em paralelo, pois CPO é o objetivo final.
Analisando por cima, dá para perceber porque a posição da Marvell está tão confortável no momento.
A Amazon é a compradora mais prática. Trainium 4 (segundo semestre de 2027) vai mudar tudo para interconexão óptica; se não der tempo de entregar CPO, vai de NPO sem hesitar; já foi iniciado o Trainium 5, e a solução da Celestial AI (adquirida pela Marvell) é bastante favorecida.
O Google diz que não quer, mas na prática está sempre buscando soluções CPO/NPO—já consultou a Marvell, e grandes contratos recentes servem para contrabalançar Broadcom e Nvidia. A lógica é simples: TPU pode desenvolver in-house, óptica não dá para fazer sozinho, precisa comprar.
A Microsoft é o cliente mais estável: maior compradora dos módulos ópticos coerentes ZR, próxima geração já praticamente fechada com a Marvell. Sobre rumores de produzir centenas de milhares de dispositivos MicroLED até fim de 2027, o especialista diz—um cronograma de entrega já definido “é surpreendente”, ainda estão em estágio de pesquisas iniciais.
A OpenAI sugeriu um projeto agressivo de 400G PAM4, mas especialistas dizem que dentro de dois a três anos não é viável, pois toda a cadeia tecnológica (TIA, Driver, SerDes) ainda está amadurecendo.
Os números mais relevantes deste estudo
1.6T DSP: fila de pedidos para dois anos depois. O setor diz que um canal desse DSP tem baixo desempenho e está sendo redesenhado (respin)—isso é verdade, mas não afeta o fechamento de negócios;
Módulos ZR: 40-50 mil unidades por mês, valor unitário US$2.000-3.000, líder global em receita; Google faz pedido aberto—encomenda todo ZR 800G que atenda ao padrão. O problema agora é entrega, devido à limitação de capacidade de toda a cadeia de suprimentos;
Empresas chinesas: nível mundial em montagem, mas chips centrais de alto valor como DSP, TIA e Driver praticamente todos têm que ser comprados da Marvell. O pedido é da fabricante do módulo, mas o lucro maior é do fornecedor dos chips—segundo especialista, esse é o resumo mais preciso sobre ações chinesas de módulos ópticos.
Onde está o risco?
É justo mostrar os dois lados.
NPO é negócio de transição, janela de dois a três anos, o futuro será decidido na batalha do CPO;
Broadcom, Nvidia, COHR e até ALAB (comparação do especialista: Broadcom é multiproduto, Marvell é uma Broadcom menor, Astera é uma Marvell menor ainda) estão disputando espaço junto aos grandes clientes;
As startups do Vale do Silício não têm grandes desafios tecnológicos, mas não conseguem wafer da TSMC—sem aval de grande cliente, nem entram no mercado.
Voltando à conclusão inicial: esse estudo não conta a história de uma tecnologia fracassada, mas sim de uma demanda tão forte que trás margem de erro.
O ponto de virada da interconexão óptica já ficou para trás, agora a disputa não é sobre o caminho, mas quem consegue entregar no prazo, de forma estável—e, no momento, justamente essa entrega é a dificuldade comum a todo o setor.
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