Primeiro-ministro do Canadá: ainda é possível chegar a um acordo comercial entre os EUA e o Canadá; negociação de agosto esclareceu os "limites".
Trump afirmou neste sábado que um acordo com o Canadá pode chegar “muito em breve”; o Primeiro-Ministro do Canadá, Carney, acolheu positivamente a declaração, dizendo que “Canadá e Estados Unidos possuem uma relação bilateral muito forte e, eventualmente, chegaremos a algum tipo de acordo”. Carney ressaltou que as “linhas vermelhas” do Canadá incluem a proteção da soberania, a preservação da cultura e o direito de assinar acordos comerciais livremente com outros países.
Após a dramática ruptura das negociações comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos em agosto, o rumo da relação entre os dois países voltou a ser foco do mercado. O Primeiro-Ministro canadense Mark Carney afirmou que este desfecho, por outro lado, ajudou a esclarecer os limites do Canadá nas negociações e expressou disposição para retomar o diálogo quando as condições forem apropriadas.
Na segunda-feira, Carney deixou claro em entrevista que as "linhas vermelhas" do Canadá incluem a proteção da soberania, defesa da cultura e o direito de firmar acordos comerciais livremente com outros países, acrescentando que a parte americana "talvez tenha agora uma compreensão mais clara desses limites".
No sábado, Trump declarou que um acordo com o Canadá pode ser alcançado "bastante rápido", mas não revelou detalhes específicos. Carney recebeu bem a declaração, afirmando que o Canadá está sempre pronto para sentar e concluir um acordo que respeite a soberania de ambas as partes e as instituições culturais canadenses.
No entanto, a posição de Carney foi cautelosa e não estabeleceu um cronograma definido. "Vamos sentar quando for o momento certo", disse:
"O Canadá e os Estados Unidos têm uma relação bilateral muito profunda, que por vezes enfrenta períodos de tensão. Enquanto mantivermos esse rumo, em algum momento chegaremos a algum tipo de acordo."
Após a quebra das negociações, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 50% sobre cerca de 20 bilhões de dólares em exportação do Canadá; em resposta, o Canadá aplicou imediatamente medidas retaliatórias de valor equivalente. O agravamento das tensões tarifárias exerceu pressões diretas sobre os setores relacionados ao comércio bilateral.
Posição de Carney: Não se trata de "questão de orgulho", mas a diversificação não será desacelerada
Durante a entrevista, Carney minimizou deliberadamente os obstáculos políticos para a retomada das negociações. "Para nós, não é uma questão de orgulho", afirmou, "somos pessoas pragmáticas e sabemos exatamente onde ficam os nossos limites".
Ele também ressaltou que o Canadá não vai desacelerar a busca por outros parceiros comerciais por esperar uma reabertura das conversações com os Estados Unidos.
Nesta semana, Carney presidiu em Toronto a primeira Cimeira de Investimento do Canadá, convidando instituições globais de gestão de ativos de topo, num esforço para atrair mais investimento estrangeiro direto. Após o evento, seguirá imediatamente para França para conversas sobre o aprofundamento da relação entre o Canadá e a União Europeia.
Como a ruptura ocorreu: ambas as partes acusam a outra de exigências de última hora
As negociações comerciais de alto nível entre Canadá e Estados Unidos foram interrompidas em 21 de agosto. O quadro inicial do acordo previa reduzir tarifas americanas sobre setores canadenses estratégicos como o aço e o automóvel, bem como a eliminação de certas restrições comerciais canadenses.
No entanto, as negociações fracassaram no final. Ambos os lados acusaram-se de apresentar exigências adicionais nos momentos finais. Carney afirmou que o lado americano tentou interferir no mecanismo de proteção à cultura francesa do Canadá e limitar a capacidade do Canadá de firmar acordos comerciais com outros países — ambos considerados limites intransponíveis para a equipe canadense.
No dia seguinte à ruptura das negociações, em 22 de agosto, o governo Trump impôs imediatamente uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses exportados no valor de cerca de 20 bilhões de dólares. O Canadá respondeu anunciando tarifas de valor equivalente sobre exportações americanas.
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