Queda acentuada da Volkswagen! Previsão de lucro para 2026 é drasticamente reduzida, Porsche registra desvalorização de 6 bilhões de euros
A Volkswagen prevê que o retorno operacional das vendas do grupo em 2026 será de no máximo 1%, bem abaixo das estimativas anteriores de 4% a 5,5%. A empresa espera que projetos especiais ao longo do ano tenham um impacto de cerca de 10 bilhões de euros no lucro operacional, dos quais cerca de 6 bilhões de euros são provenientes da redução não monetária do goodwill do negócio da Porsche. O aumento da competitividade das montadoras chinesas e a rápida mudança da demanda dos consumidores para veículos totalmente elétricos também são grandes pressões enfrentadas pela Volkswagen. Como resultado, as ações da empresa fecharam em queda de 5,6% na sexta-feira.
O Grupo Volkswagen revisou novamente para baixo sua previsão de lucro anual, apontando como principais motivos a redução de valor dos ativos da Porsche, o aumento da competitividade das montadoras chinesas e a elevação dos custos de reestruturação.
No dia 18 de setembro, horário local, o Grupo Volkswagen divulgou um comunicado informando que espera uma receita de vendas de cerca de 315 bilhões de euros em 2026, com uma margem operacional máxima de apenas 1%, bem abaixo da estimativa de 4,29% dos analistas e das projeções anteriores de 4% a 5,5%.
A empresa prevê que projetos especiais ao longo do ano impactarão o lucro operacional em cerca de 10 bilhões de euros, dos quais aproximadamente 6 bilhões de euros referem-se à redução de valor não monetária do fundo de comércio da Porsche.
Com o rebaixamento das projeções, as ações da Volkswagen chegaram a cair 7,5% na sexta-feira, encerrando o dia com queda de 5,6%. As ações da Porsche recuaram 4,9% e o setor europeu de automóveis e peças registrou baixa de 3,4%.

Redução de valor da Porsche em 6 bilhões de euros
Nesta revisão para baixo das expectativas, o destaque ficou para a redução de cerca de 6 bilhões de euros no valor do fundo de comércio da unidade Porsche.
A Volkswagen afirmou que a Porsche atualizou o seu plano de médio a longo prazo, levando a empresa a ajustar as premissas de avaliação desse segmento de negócio e realizar testes de imparidade, o que resultou em uma previsão de depreciação não monetária de aproximadamente 6 bilhões de euros. Esse impacto deverá ser registrado principalmente no lucro operacional do terceiro trimestre deste ano.
A Porsche já havia estabelecido para o médio prazo uma meta de margem operacional entre 10% e 15%. Segundo a Volkswagen, as mudanças nas perspectivas de lucro da Porsche são um dos principais fatores para essa redução de valor.
A Porsche enfrenta atualmente uma dupla pressão: as tarifas norte-americanas e a queda da demanda de marcas de luxo estrangeiras na China, o que tem afetado significativamente sua rentabilidade.
Vale ressaltar que essa redução de valor é uma despesa não monetária e não provocará um fluxo de caixa negativo da mesma magnitude. Portanto, a revisão para baixo do lucro não corresponde integralmente ao agravamento do fluxo de caixa da Volkswagen.
Aumenta a competitividade das montadoras chinesas
Além da redução na Porsche, o fortalecimento das empresas automotivas chinesas representa outra grande pressão para a Volkswagen.
De acordo com a empresa, no mercado chinês, a demanda dos consumidores está migrando rapidamente para veículos totalmente elétricos, fazendo com que o desempenho operacional ficasse aquém do esperado, especialmente nas marcas Audi e Volkswagen de passageiros.
Ao mesmo tempo, os carros elétricos chineses estão entrando com força no mercado europeu, o que aumenta ainda mais a competição no continente.
Com concorrentes como BYD ampliando sua vantagem no segmento de veículos elétricos, a Volkswagen não só sofre com a pressão sobre vendas e participação de mercado, como também precisa investir mais no processo de transição para a eletrificação.
A Volkswagen também destacou que o crescimento acelerado da demanda por veículos 100% elétricos é um dos fatores que pressionam as margens operacionais. Os modelos elétricos geralmente apresentam margens menores do que veículos movidos a combustíveis fósseis, e a rápida migração nas vendas está diluindo o lucro geral, enquanto as medidas de redução de custos na Alemanha ainda não foram plenamente implementadas.
Custos de reestruturação aumentam ainda mais
Além da redução de valor da Porsche, a Volkswagen prevê impactos negativos adicionais e pontuais de cerca de 2 bilhões de euros na segunda metade do ano.
Segundo a companhia, esse valor inclui a ampliação do plano de aposentadoria antecipada, a venda planejada da fábrica de Osnabrück, além da redução de valor não monetária de ativos ligados ao mercado chinês.
A Volkswagen já iniciou um plano de reestruturação em larga escala. Segundo artigo anterior do Wallstreetcn, a montadora pretende reduzir em 50% a quantidade de modelos ao longo dos próximos 10 anos e eliminar 50 mil postos de trabalho, totalizando 100 mil cortes junto com as demissões já realizadas anteriormente.
O diretor financeiro e de operações do Grupo Volkswagen, Arno Antlitz, afirmou que estes projetos especiais deverão impactar o lucro operacional em cerca de 10 bilhões de euros este ano, dos quais cerca de 9 bilhões de euros devem ser reconhecidos no segundo semestre.
Aviso Legal: o conteúdo deste artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa a plataforma. Este artigo não deve servir como referência para a tomada de decisões de investimento.
Talvez também goste
Federal Reserve sinaliza continuidade do aumento das taxas de juros e dólar registra maior alta semanal em mais de três meses
Após o Federal Reserve sinalizar que continuará aumentando as taxas de juros no futuro, o dólar se fortaleceu significativamente nesta semana, registrando seu maior avanço semanal em mais de três meses.
As ações dos EUA se aproximam das máximas históricas, mas investidores de varejo estão cada vez mais pessimistas! Pesquisa mostra que a proporção de pessimismo subiu para 53,3% e a alocação em caixa aumentou significativamente.
A mais recente pesquisa semanal divulgada nesta sexta-feira pela Associação Americana de Investidores Individuais mostra que, com os preços do petróleo permanecendo elevados e o Federal Reserve aumentando as taxas de juros pela primeira vez desde 2023, o sentimento pessimista entre os investidores atingiu o nível mais alto desde 2025.
