Os números e as questões pendentes por trás da mega aquisição de Elon Musk
A fusão da SpaceX com a startup de inteligência artificial xAI criará um gigante nos setores de foguetes e IA. No entanto, as consequências dessa operação levantaram muitas preocupações entre investidores e especialistas.
Autores deste artigo: Andrew Ross Sorkin, Bernhard Warner, Sarah Kessler, Michael J. de la Merced, Nico Galoğlu, Brian O'Keefe, Ian Mount
Imagem: Foguete Starship da SpaceX na plataforma de lançamento, conectado a um guindaste.
Principais questões não resolvidas da megafusão de Musk; nova análise dos custos da corrida da inteligência artificial; “A prata sempre foi uma armadilha de investimento”; consequências dos documentos mais recentes de Epstein
Olá, eu sou Andrew. Uma das maiores fusões da história, marcada com um asterisco, foi finalizada: a SpaceX adquiriu a xAI, e a empresa resultante está avaliada em US$ 1,25 trilhão. Trata-se de uma operação totalmente em ações privadas (e a avaliação não é pública, daí o asterisco), mas a SpaceX planeja abrir o capital ainda este ano.
Toda a operação foi liderada por Elon Musk, que controla ambas as empresas. A SpaceX fundida se tornará uma empresa verticalmente integrada, capaz de instalar centros de dados no espaço e, a partir dessas instalações, oferecer serviços de inteligência artificial. Muitos questionam se a SpaceX realmente precisava adquirir a xAI e se essa operação pode complicar a oferta pública inicial (IPO) da SpaceX; mas, sem dúvida, é uma grande vantagem para os investidores da xAI (alguns dos quais também investiram anteriormente na plataforma de mídia social X, que foi adquirida pela xAI).
Além disso, a fusão levanta preocupações antitruste a longo prazo: se os centros de dados espaciais se tornarem realidade e Musk monopolizar esse setor, será que outras empresas de desenvolvimento de modelos de IA poderão usar essas instalações?
Principais questões não resolvidas da megafusão de Musk
Elon Musk teve uma segunda-feira agitada: ele fundiu sua empresa de foguetes SpaceX com a startup de inteligência artificial xAI, criando a empresa privada mais valiosa do mundo.
Musk descreveu a empresa resultante como “o motor de inovação verticalmente integrado mais ambicioso dentro e fora da Terra”. O acordo foi fechado pouco antes do tão aguardado IPO da SpaceX, previsto para este verão.
Porém, investidores e analistas estão questionando qual valor prático essa fusão realmente traz, especialmente para a SpaceX, que já estava em forte trajetória de crescimento. Agora, a empresa precisa apresentar uma narrativa de negócios mais complexa aos investidores.
Detalhes centrais da operação
A fusão avalia a SpaceX em cerca de US$ 1 trilhão, acima dos US$ 800 bilhões de dezembro passado; e a xAI em US$ 250 bilhões, um pouco mais do que na rodada anterior de financiamento. (Para concluir a operação, a SpaceX terá que emitir cerca de US$ 250 bilhões em novas ações, diluindo significativamente a participação dos atuais investidores.)
Musk afirma que a empresa combinada terá maior capacidade de construir centros de dados de IA no espaço. Em teoria, esses centros poderiam superar as limitações de eletricidade e espaço físico dos centros terrestres. Em um memorando divulgado pela SpaceX, Musk escreveu: “A longo prazo, a IA espacial é claramente o único caminho para o desenvolvimento em escala.”
Visão otimista
Andrew Rocco, estrategista da Zacks Investment Research, disse ao “Dealbook” que a empresa resultante tornará a SpaceX “muito mais atraente” para investidores, pois permitirá que Musk foque em um único negócio, sem distrações de múltiplas operações.
Segundo dados da Pitchbook, a SpaceX teve receita de mais de US$ 15 bilhões no ano passado e lucro de cerca de US$ 8 bilhões, podendo fornecer fluxo de caixa para a xAI, que opera no vermelho. Desde sua fundação em 2023, a xAI já levantou US$ 42 bilhões de investidores (a Bloomberg reportou que a xAI queima cerca de US$ 1 bilhão por mês).
Muitas preocupações
Antes, a SpaceX planejava levantar US$ 50 bilhões em seu IPO, um recorde, contando uma narrativa simples e atraente: maior empresa de foguetes e operadora de internet via satélite do mundo, com forte lucratividade. Agora, a SpaceX precisa explicar aos investidores por que possui uma divisão de IA que dá grandes prejuízos – e que inclui a plataforma de mídia social X, frequentemente alvo de investigações e sanções de órgãos reguladores.
Tornar centros de dados espaciais realidade exigirá superar diversos desafios complexos: como tecnologia de resfriamento (algumas estimativas dizem que os radiadores de resfriamento precisariam ser maiores que uma quadra de tênis) e construir camadas de proteção contra radiação cósmica. Os custos são um ponto central; especialistas acreditam que será preciso reduzir em cerca de 90% o custo de envio de equipamentos ao espaço para que o projeto seja viável. Previsões indicam que isso poderia acontecer na década de 2030; já Musk diz que espera atingir esse objetivo em apenas dois ou três anos.
A empresa de Michael Sobel negocia ações secundárias de empresas privadas. Ele contou ao site “The Information” que vários acionistas da SpaceX expressaram dúvidas sobre a fusão. Segundo Sobel, a maioria entende a lógica de negócios por trás do acordo e confia nas decisões de Musk, mas sua postura é de “hmm... (esperando para ver)”.
Editor responsável: Guo Mingyu
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